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Oração aos Formandos
Cumprimento os moços pilotos formandos, que têm em mente o seguimento da carreira aeronáutica, tarefa difícil no campo técnico, e de muita disciplina corporal com a renúncia aos excessos (bebidas alcoólicas, cansaços extremados, etc.), e aos demais idosos formandos (que foi o meu caso), - saúdo-os pela excelente opção desportiva que fizeram ao dedicarem-se ao volovelismo, - no qual, o homem vulgar, prova que tem em seu plano pessoal o autocontrole, - a aquisição do conhecimento dessa ciência desafiadora com cada vôo pelas variantes meteorológicas, e pela curiosidade que se tem despertada para tudo quanto voa, - hábito que desenvolve um raiar de grandeza que nos faz transcender aos nossos limites, - e se formos religiosos, - ser cada vôo uma oração pela grandeza dos bens da natureza que nos desvela pela teodicéia – Deus, independente de cada qual (piloto), ter sua devoção peculiar à um santo de sua predileção contra as “bruxas”, uma hipótese dessas de um “cri-cri” aqui ou ali, quando você desacompanhado, solo, teme por um dos três eixos: o transversal, o longitudinal (ou da gravidade) ser a causa injusta do nosso desassossego... e ter dúvidas de que somos só duros, lógicos, e empedernidos ao receio, - daí o auxílio nunca recusável ao sobrenatural... que confronta e conforta com a física pura...
O descortino superior das paisagens, o oceano pelo leste, os contra-fortes das montanhas pelo oeste e pelo norte, com o descampado das planícies para o sul, o homem piloto de soltas idéias, se leu a obra do S.J. Pe. Rambo, fica mais fácil de compreender que o sistema de montanhas desgastado da Serra do Mar, o foi pelas milenares eras do passado, soterrando o mar que antes era o das planícies e várzeas que chegam à região da Grande Porto Alegre, antes, em priscas eras, tudo oceano, transmudado para os areais, e hoje, pelas casas, que em menos de um século praticamente povoam toda costa linear rio-grandense...
Mas o voar faz captar a sombra das nuvens, a luz transparente ora oblíqua pela direita, pela esquerda, e quando na efervescência da natureza, também na encosta do “Livramento” se atacado por um soberbo chimango, pouco temendo as dimensões gigantes do planador diante do seu direito de defender a sua família nas cercanias...; ou, quando se ultrapassa a pequena cortina que liga o Morro Alto ao sistema, voando sobre a concha do Maquiné, entre um rio, se encontra a pequena cidade, sua igreja e casas do povoado, tendo nas montanhas da Ferradura, depois das grandes chuvas, uma catarata que despeja champanha borbulhante dentre e sobre a mata, tudo com o vento nordeste a nos suportar acima dos 900 metros de preferência...
Comecei Sr. Presidente, do meu jeito, fui indo, indo, gostando, quando vejo estou aonde estou no sobrenatural ou no Maquiné – voar não é uma maravilha? Parabéns aos novos Colegas.
Dr. Plínio Paulo Bing
Conselheiro Fiscal do
Aeroclube de Planadores Albatroz
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