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Porque planar?

Mil e uma razões levam o homem e a mulher a buscar alguma válvula de escape para as tensões da vida cotidiana. O desejo de algumas horas de solidão, solto no espaço tridimensional, o anseio da liberdade de ir e vir, de se integrar na natureza, dominando suas forças, e porque não, o desejo de vencer as suas limitações pessoais, descobrindo novos horizontes na constante luta com si próprio.

Visto por esse prisma, o vôo a vela, como todo esporte amador, atrai um grande número de jovens e 'coroas', unidos por um mesmo ideal, ou ao menos, compartilhando idéias semelhantes.

Como esse esporte exige muita disciplina, grande dedicação e forte espírito de equipe (sozinho é praticamente impossível praticá-lo), ele acaba atuando como fator de formação moral nos indivíduos que o praticam. Dadas essas suas características, ele rejeita sistematicamente indivíduos que buscam o sucesso rápido, ou que não consigam desenvolver um mínimo de espírito de cooperação.

Por outro lado, o fato de ser um esporte acessível a qualquer faixa etária, faz com que ele implique na coexistência de várias gerações, com benefícios mútuos para 'jovens' e 'velhos'.

Do ponto de vista de retorno pelo esforço, o vôo a vela é provavelmente um dos esportes mais atraentes e menos limitados praticados pelo homem. Pode ser praticado como simples atividades de lazer de fim de semana, ou como esporte altamente competitivo.

No campo competitivo podem-se voar campeonatos ou então buscar novas fronteiras nos recordes.

O desempenho de vôos esportivos de planador concentra-se hoje em dia em vôos de velocidade e vôos de distância. Recordes de permanência deixaram de ser atraentes pelo fato de constituírem essencialmente um problema de resistência física, uma vez que não requerem grande habilidade, conhecimento teórico e preparo mental, ingredientes básicos do vôo a vela como esporte competitivo. Recordes de altitude são raros, pois, apesar de mais atraentes que recordes de permanência, estão limitados a algumas regiões geograficamente privilegiadas (e.g. Serra Nevada nos EUA), sendo portanto muito mais acessíveis aos pilotos dessas regiões.

Vôos de velocidade e de distância estão correlacionados, pois faz maior distância quem voar mais horas com maior velocidade média.

A diferença do vôo a vela para outros esportes competitivos, é que não ocorre a competição direta, ou seja, a saída de uma prova de planadores não é como a saída de uma prova de barcos a vela onde todos os barcos partem juntos. Cada piloto decide individualmente quando pretende dar a largada, para aproveitar da melhor forma possível as condições meteorológicas do dia em função de uma prova pré-estabelecida.

Para provas de distância é natural que se utilize todo o período meteorologicamente viável para o vôo de planador, mas para provas de velocidade sobre um percurso pré-definido, a escolha do período ideal de vôo é fundamental para o resultado.

Mas mesmo para aqueles pilotos não engajados em campeonatos, o vôo a vela pode ser um esporte competitivo, pois você pode competir com você mesmo, ou seja, procurar desenvolver cada vez mais sua habilidade, seu conhecimento técnico e seu preparo mental e físico para, utilizando apenas as forças naturais provenientes da energia solar e da energia dos ventos, percorrer distâncias cada vez maiores, explorando suas dimensões desse mundo mágico do vôo silencioso. É indescritível o nível de satisfação pessoal que se tem a cada vez que se consegue conquistar uma nova etapa de desenvolvimento, e dado o leque de alternativas, o vôo silencioso tem possibilidades quase que ilimitadas.

Fonte: J. A. Widmer, O Vôo a Vela, 1994.

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O piloto Christian Allgayer efetuou um vôo (PT-PEO) no qual atigiu 2500m com ganho livre de 2250m, sendo o recorde máximo de ganho livre na região.


Recorde máximo:
Almiro F. Barichello / Adalberto Jayme Meneghini em vôo duplo com o planador Neiva B (Neivão)/PT-PEE
Permanência: 11:37
Dia 13/10/1954
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